Vínculos Emocionais de Dependência
Vínculos Emocionais de Dependência, como lidar, de onde vem?
Juliana Ortolani Rabelo
10/8/20252 min read
Vínculos Emocionais de Dependência
Como se dão nossas escolhas afetivas?
Nossas escolhas podem ser baseadas a partir dos modelos (das primeiras referências de
cuidado) que experienciamos na infância e também a partir de nossas faltas, ou traumas não elaborados.
Os vínculos amorosos podem se dar a partir do desejo inconsciente de que o outro
preencha uma falta que “não se sabe, que sabe que tem”. Ou até mesmo se ocupar da
demanda do outro, evitando olhar para suas próprias demandas. Neste panorama, esses vínculos podem se dar de diversas formas.
Aqui no Blog da Imá Saúde, vamos falar brevemente da demanda da “completude”. Estar só, é se deparar com nossa incompletude. O processo psicanalítico propõe olhar para
essas faltas a partir da palavra do “analisante”, em suas associações livres e da escuta do
analista através da transferência. Que se dá ao recordar, repetindo e elaborando, mas não com a promessa de alcançar a “completude”, mas com a possibilidade de experimentar a realidade de ser incompleto e sair de uma posição inconsciente regredida de angústia e da fantasia da desintegração, quando não há um outro, passando para uma posição mais humana e real de existência, apesar da desta incompletude.
O primeiro terror de separação é vivido na infância, quando a criança fantasia que sua
existência fica ameaçada sem a presença de um outro, é uma ameaça de “desintegração”. Essa ameaça na infância é inconsciente e pode-se repeti-la também na fase adulta, fazendo com que pareça que a única escolha possível e segura, é estar em uma relação, mesmo que isso lhe traga sofrimento.
Em vista disso, é comum que mesmo vivenciando uma relação adoecida, a escolha é de permanecer nela, pois o medo paralisante de ficar só, impede que se tenha outras alternativas possíveis. E se o outro escolhido decide não permanecer, o sentimento que pode ficar é o de abandono, trazendo a experiência de um vazio insuportável, desencadeando uma compulsão a repetir as relações dependentes e procurando repor o que lhe foi tirado, por um vínculo semelhante.
Para Freud a psicanálise é um dispositivo que possibilita olhar para tais repetições a fim de
cessá-las, dando lugar a desejos mais elaborados, para que se possa sair de uma posição regredida e aprisionada, em que o indivíduo se colocou à disposição da demanda do outro, com presença e respostas, passando para a posição de olhar para suas próprias demandas e desejos, com a possibilidade de movimentação e (des)coberta do que resta, quando não há um outro!
Enfim, existir sem o outro, para poder existir em uma relação com o outro.
Juliana Ortolani Rebello
Psicanalista
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